::Chevrolet Truck PT-57::

Publicado: fevereiro 26, 2010 em '57, 1957, Chevy, Pro Touring, Truck
Em uma balada noturna, casa cheia, som excitante em alto volume saindo dos falantes, uma boa bebida nas mãos e uma mulher madura, aparentando seus 45 anos, com um corpo estonteante, te encara insistentemente. Incrédulo, você pensa não ser contigo, mas não consegue desviar o olhar. Ela chega perto tomando a atitude que você, honrosamente, deveria ter tomado a meia-hora atrás, sussurrando palavras indecentes e excitantes no teu ouvido. Após uma breve conversa, vocês saem de lá e seguem para um local mais sussegado, para ficarem a sós e você, ainda sem acreditar que aquilo está acontecendo, tem a melhor noite de amor que jamais teve ou terá em toda sua insignificante vida amorosa. Pela manhã, um bilhete: “Obrigado pela noite memorável. Guardei o número do seu telefone para repetirmos novamente assim que eu desejar. Não se preocupe, você é o único e não quero alvoroço nem na minha vida, nem na sua.” ACORDE!!! Este não é um blog de contos eróticos.

A felicidade que me atiça a continuar escrevendo posts e mais posts para este blog vem crescendo a cada dia (bem como a pilha de trabalho acumulado sobre minha mesa) e fico lisongeado quando alguns dos projetos que acompanho por fóruns e sites, me são remetidos por seus idealizadores para que possam estampar estas singelas páginas. Cientes de meu entusiasmo acerca deste projeto, Russell Alexander da Hot Rod Jim – HRJ enviou-me as fotos de seu último projeto, agora concluído.

Batizado de PT-57, a picape fabricada pela Chevrolet sob esta carroceria entre os anos de 1955 e 1959, sendo este exemplar do ano de 1957, recebeu este nome devido à destinação do projeto idealizado: Ser um legítimo Pro-Touring. O carro adquirido sem motor, mas com sua carroceria em bom estado serviu de base para o desenvolvimento de um projeto extremamente ambicioso, sem muitos adereços estéticos, mas com uma bem definida: andar forte, com estabilidade de sobra sem esquecer que o visual deveria ser intimamente ligado ao que estaria debaixo do capô.

O chassi foi completamente substituido, pois o antigo (e ainda original) não teria capacidade e estrutura para suportar a nova proposta que englobava ainda a utilização de um reboque para ajudar eventualmente no transporte de cargas e carros da empresa. Na dianteira, onde seriam fixados os braços de suspensão, o chassi foi recuado e elevado para que as rodas não raspassem me local algum. A direção agora conta com assistência hidráulica e sistema do tipo pinhão e cremalheira, o que aliviou bastante se comparado à antiga caixa. Barras anti-torção e estabilizadoras foram adicionadas ao projeto para que a rigidez torcional fosse superior, uma vez que o novo conjunto motriz geraria quase quatro vezes mais de força que o original. Para as junções sempre foram utilizadas buchas de poliuretano.









































































A suspensão tomada como base para a adaptação é a mesma utilizada pelos Corvettes modelos C5 e C6 com duplos braços na dianteira e traseira. O projeto inicial previa a utilização de bolsas para o amortecimento (suspensão a ar), mas a idéia foi substituida por um jogo de amortecedores reguláveis do tipo coil over da Pfadt. Da mesma marca vieram as barras estabilizadoras e o adaptador de diferencial C5/C6. O sistema de freios do Corvette C6 Z06 recebeu um upgrade com discos de 14″ na dianteira com pinças vermelhas de seis pistões e discos de 13,6″ na traseira com pinças de quatro pistões. O conjunto é gerenciado por uma central Willwood que distribui a frenagem de forma equilibrada, portanto, parar não é problema. Utilizando as belas rodas originárias do Corvette Z06, pintadas de Semi Gloss Metallic Charcoal Gray, de medidas 10,5×19″ na dianteira, calçadas com pneus 275/40-19″ e 12×19″ na traseira, calçadas com monstruosos pneus 345/35-19″, os pneus derretem facilmente quando o motor HD 2500 derivado de uma picape Chevrolet Silverado despeja todo o “ódio” contido em seu interior.





































O LQ4 é basicamente um motor V8 de 6,0L com muito torque, mas MUITO torque e uma concepção bastante reforçada. Com esta base, o pessoal da HRJ instalou um comando made-order de 274°, varetas de cromolibdênio da Thunder Racing, molas duplas de válvulas da Patriot, raspadores de titânio e coletor de admissão original do LQ4 6,0L V8. Os coletores de escape foram confeccionados em aço inox e vieram no kit da STS. A taxa de compressão medida ficou em 9,4:1. Perfeita para a utilização do par de turbinas Borg Warner modelo T56 montadas com um kit da STS próprias para sistemas bi-turbo. O kit conta com duas válvulas wastegates de 38mm, uma válvula blow-off de 50mm, conduite de óleo para as turbinas, os tubos de pressurização em 2″ e um tubo de admissão de 3″ instalado no pár-choque traseiro. Para não deixar o óleo ferver, um radiador para o lubrificante foi adicionado. Um intercooler também entrou em cena para resfriar o ar admitido e conseqüentemente, prolongar a vida útil do motor. A embreagem é possui discos de cerâmica e o cárter foi especialmente confeccionado para a PT-57. Todo o motor foi montado, balanceado e instalado pela Rusty of Korttings Wagon Works.

























“The front looks like a mouth. Like a P-40 Warhawk almost.” – Disse um amigo de Russell observando em sua jaqueta dos Flying Tigers um caça P-40. Com a idéia na cabeça, um rendering foi feito e todo o processo que se segue foi baseado no desenho aprovado por Russell, Jim e Billy (sócios da empresa). Com pinças vermelhas e chassi amarelo, nada melhor que um carroceria pintada de Olive Drab Base, um verde musgo fosco. A face de tubarão dos caças P-40 Warhalk tomou as laterais dianteiras e foram adicionados alguns rebites e inscrições como as do exército americano ao longo da carroceria para tornar o picape ainda mais instigante. Os mais atentos e fanáticos por aviões vão notar logo que as “bocas” foram pintadas invertidas nas laterais. Detalhe que deixou a picape com um visual instigante e perturbador. Nas portas, a logomarca da empresa HRJ foi estilizada e passou a compor o visual externo da PT-57 de uma forma bastante harmônica. Os pára-lamas traseiros receberam aberturas de 3″ para captação do ar por meio de dois filtros de ar K&N para as turbinas, enquanto a grade frontal recebeu total atenção para que ficasse como nova e recebeu pintura preta fosca. Os faróis dianteiros são originais e o capô recebeu saídas de ar funcionais. A caçamba deixa à mostra o par de turbinas e a estrutura para o encaixe do reboque, afinal, este é um carro funcional!























Internamente foram instalados dois bancos em formato de concha da Corbeau modelo Forza com cintos de segurança de cinco pontas. Entre os bancos, um console central abriga a central do ar-condicionado com aquecimento da Vintage Air e porta-copos. O painel conta com um tacômetro (conta-giros) em destaque. De cima para baixo, ao lado do tacômetro estão instalados um termômetro da água e um manovacuometro. Da esquerda para a direita: um voltímetro, um termômetro do óleo, um manômetro de óleo e um medidor de combustível, todos da Stack com acabamento diferenciado. O interior não possui luxos e apresenta o painel liso. Bom para não desviar a atenção do condutor, tal qual um Warhalk.













Com o PT-57 praticamente “pronto”, prestes a rumar o SEMA 2009, algumas peças não casavam ou simplesmente não pertenciam àquele projeto. Com injetores de 42lbs, destinados à um motor LS1, o LQ4 simplesmente apresentava falta de combustível a todo instante e estes deveriam ser trocados. A fiação deveria ser toda revisada pois alguns sensores e manômetros não estavam funcionando. Pra fechar de vez o pacote de problemas, eles precisavam de um trailer para levarem a caminhonete para o evento e um caminhão para reboque. Isso tudo a praticamente um dia do início do evento. Corre-corre para deixar tudo pronto e já com o esquema de transporte resolvido foi a vez de partir pra cima dos injetores. Com tudo resolvido na alimentação, os últimos ajustes foram feitos a minutos antes da abertura oficial do evento. Correria prevista por quem decidiu montar um Pro Touring a menos de três meses antes do Evento.

http://www.streetfire.net/flash/SPlayer.swf

Com uma distribuição de peso à ordem de 53/47, a picape PT-57 apresenta uma dirigibilidade ímpar, mostrando-se bastante estável e equilibrada. Boa parte deste equilíbrio deve-se aos pneus Michelin Contact Sport adotados, mas o trabalho de suspensão da Pfadt é quem merece a maior parte das honras. Com 567,13cv@6107Rpm prontos para transformar os largos 345/35-19″ em migalhas, este é um dos veículos que mais me impressionou. Sem esquecer que o veículo ainda tem capacidade para rebocar mais de uma tonelada.









Resumo da história: Encare este projeto como uma velha senhora no alto de seus 60 anos que toma doses diárias cavalares de hormônios para manter sua libido sempre à tona. Uma deliciosa senhora ninfomaníaca.

Um ótimo final de semana a todos.

Da próxima vez, deixo um aviso no início do blog: “Deixe a página carregando e vá tomar uma cerveja.”

Abraços!

comentários
  1. thiago disse:

    top de mais….muito bom!!!

  2. Anonymous disse:

    muito bom seu blog..

    vejo muitos blogs automotivos, mas o seu é o melhor parabenss e continue postando muitas materias boas

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