::Um dia comum::

Publicado: junho 24, 2011 em amigos, blá, desabafo
Esta noite o sono não foi capaz de deter-me. E não foi por falta de tentar. Não havia nada de novo ou interessante passando pela TV, nada de divertido na internet. Senti a falta de algo na soberba da madrugada. Senti falta de algo velho em minha garagem para me fazer compania e me tirar da frente de um PC imundo cercado por refrigerante sem gás e biscoitos recheados à plenos 03:10AM de um feriado.

Um copo grande cheio de gelo e dois dedos de água já me acordariam melhor depois da bebedeira do dia anterior. Mas optei por um gole a mais de vodca barata com um pouco de suco de caju para tirar o gosto de sapato da boca.

Lavo o rosto, escovo os dentes, visto uma roupa qualquer, afinal, a intenção não é aparecer em público. A única coisa que eu quero é sair para espairecer. Vejo as chaves do carro e me pergunto: “Por que não?! A patroa já dorme e as crianças estão cobertas.”

Quisera poder ligar para algum amigo e amanhecer o dia tomando um bom whisky com energético, mas como explicaria toda a loucura de sair de casa às 05:00AM de voltar com bafo de cachaça sem que a patroa pense em traição, balada, festança e alcoolismo. Bem, esta última parte eu não posso negar. Já volto, minha vodca está acabando.

Melhor ficar em casa e escrever alguma coisa para tentar aliviar a mente. Coloco os fones de ouvido e abro o playlist: Amy, Lauryn, Ben, Lily e Isabela, vocês serão meus companheiros esta noite. Sing, sing, sing… i’m listening!

Esta noite eu fiquei esperando por um anjo. Eu também poderia voar se quisesse, mas eu sei que vocês estão todos muito, MUITO longe. Também sei que se a proximidade fosse maior, eu poderia ligar para qualquer um que choveriam garrafas e roncos de motores por todos os lados. Mas a vizinhança poderia não gostar de um encontro às 05:30AM de uma sexta-feira que nem acordou ainda.

Vou esperar as meninas acordarem. Um café da manhã e uma volta no parque vão fazer bem aos seus pequenos pulmões. Os meus já estão velhos e sufocados. Cigarro faz mal, mesmo os mais leves. Parei de vez. Quero ver os rostos dos meus netos num dia chuvoso e convidá-los à um banho de chuva sem me importar com as repreensões que minhas filhas farão.

Acabo de entender o “porquê” da minha mãe tratar minhas filhas assim… e eu estou apenas envelhecendo. Pareço-me como um gato num saco, pronto para me afogar. Querendo ou não, este foi um dos meus melhores dias. Tá certo, eu precisava de um pouco mais de gasolina no dia de hoje, mas os risos desmedidos das meninas correndo pela casa da bisavó e o sorriso entusiasmado da “velha” a cada brincadeira das meninas me fizeram perder a compostura e rolar pelo chão sem dó de quem lavaria a minha ou as roupas delas. Estavamos alí para isso.

Apenas um dia comum…

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comentários
  1. Eduardo Magliano disse:

    Curti!

  2. Deph disse:

    Entendo o sentimento foi a mesma coisa tirando que trabalhei até meio dia .

  3. PedroJJ disse:

    belo post, otimo texto!
    parabens

  4. Murilo disse:

    Briseiii locamente … haha

  5. Anonymous disse:

    Tinha só vodca nesse copo? hahahaha belo post!

  6. Igor disse:

    Putz , esse é pra pensar na vida…..
    mesmo sem grana to saindo agora….
    valeu rafa4fun 🙂

  7. Anonymous disse:

    Envolvente até o caralho! Acredito que muitos aqui se encontraram nessas palavras. Uma boa semana.

    Bombril

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