::VW Saveiro Sleeper

Publicado: julho 15, 2011 em Saveiro, sleeper, Turbo, Volkswagen, VW
Livre-se de tudo o que não é importante e mantenha-se sempre a postos para qualquer eventualidade. Seja forte e jamais deixe-se surpreender. Ludicamente, este é o conceito de sleeper.

Você pára no sinal, olha para o lado, sente o cheiro forte de álcool no ar e ao seu lado apenas carros comuns. Nenhum rebaixado, nenhum com pinturas chamativas, nenhum que levante a menor suspeita, mas você não encherga nada diferenciado e não vê nada diferente… e o cheiro persiste. O sinal abre e uma orda de cavalos sedentos urge alto seguido de um zumbido “estranho”. O tempo parece que parou, mas aquele pontinho verde no horizonte continua a desaparecer. Dê um singelo “tchau” para Ricardo Fernandes (sim, o proprietário do Chevrolet Chevette com motor V6) e se emparelhar com ele no próximo sinal, diga que viu seus carros aqui no 4Fun.


Apesar de passar completamente desapercebido em qualquer situação, a VW Saveiro CL’98 não demonstra qualquer traço da preparação que tem. Adquirida 0km no ano de 1997 por um amigo de Ricardo, a mesma já tinha seu destino traçado e em menos de uma semana já rodava turbinada com um carburador 2E, turbina Garret .60, pistões baixos para reduzir a taxa de compressão e coletor monofluxo embaixo. Como a tecnologia dos injetados só foi disceminada recentemente, a Saveiro rodou assim diariamente por um bom tempo. Em 2004 Ricardo começou a respirar novos ares. Por nunca ter tido um carro turbinado, achou que este seria um bom começo.

Comprei-a antes de tudo por ser um carro muito inteiro e pouco rodado. Primeira vez com um carro turbo, comecei a gostar do brinquedo e me empolgar um pouco mais. Ela tinha rodas 14″ (tenho elas até hoje) mas troquei os pneus originais pelos Firehawk 195/60-14″, que ainda eram usados na arrancada. Mudei o coletor (agora pulsativo) para cima, turbina com caixa fria .50, fiz cabeçote, blocante, carburador 3E de Opala, etc. Participei de algumas etapas do Paulista e Brasileiro de arrancada (Interlagos) – turbo light na época. Quando percebi que para andar mais na frente, teria que começar a judiar do carro (deslocamento e alivio de peso, travar suspensão, reforços, etc) parti para deixá-la mais “rua” do que “pista”.




A simplicidade definitivamente é um dom. Nas palavras de Ricardo o trabalho parece simples e rápido, mas na verdade a Saveiro ainda vem sofrendo transformações ao longo de todo este tempo. Sabem como é, a garagem de Ricardo não é nada pequena (Charger, Opalas SS, Fuscas, Chevettes, Vectra…) e a empolgação é algo que pode levá-lo à falência num abrir de carteira. Com o uso de pistões Iasa de 83mm, a cilindrada agora passa dos 1.9L e os pistões são forjados da SPA. O virabrequim e todo o conjunto móvel foi balanceado pelas experientes mãos de seu preparador Paulo Roberto Cintra, o Bucha. O cabeçote foi encaminhado à Kaef para um talento completo e retornou com três angulos de assentamento para as válvulas de admissão (41mm) e escape (35mm) que contam ainda com pratos e molas mais rígidos para evitar flutuação em altas rotações, fora um extenso trabalho para melhorar o fluxo. O novo comando é um Crower DRP 7013 e a alimentação é dada por uma bomba elétrica Bosch de 12Bar de pressão que jorra combustível aos cuidados de um dosador Turbo Anhanguera e este o despeja na boca do carburador 3E de Opala.



A turbina é híbrida com caixa quente .58, caixa fria .53 e caracol (eixo) .49 e fornece um desempenho linear e compatível com as pretensões de Ricardo. A pressão de trabalho é de 1,7Bar, podendo chegar a 2,5Bar com o acionamento do booster, regulados por solenóide e válvula de alívio da Turbo Anhanguera. A ignição é dada por um módulo MSD 6AL, com distribuidor original retrabalhado, cabos de velas MSD e velas NGK BR9ES. A embreagem agora conta com platô de 900lbs e disco de cerâmica com seis pastilhas, enquanto o câmbio teve suas engrenagens reforçadas com a utilização de peças da Sapinho e um blocante de 70% instalado.


A suspensão conta com um conjunto de molas e amortecedores mais firmes da Gass que mantém o carro sempre “na linha” mesmo nas aceleradas mais fortes. Apesar de ainda guardar as rodas originais, Ricardo instalou rodas da VW Saveiro TSI de medidas 6,0×15″ e calçou-as com pneus Toyo Proxes4 (para arrancadas), mas diariamente utiliza pneus Pirelli P700Z, ambos de medidas 195/50-15″ para uma melhor estabilidade e aderência. As originais de 14″ ficam guardadas esperando alguma arrancada mais nervosa.


Na configuração anterior, no GTech, foram medidos 285cv e aceleração de 0 a 100km/h em 6,2 segundos. Com as mudanças atuais, a regulagem afinada de Ricardo e Bucha, estima-se que a Saveiro desenvolva perto dos 380cv a serem medidos em poucas semanas. Por ser um carro “curinga” na garagem (arrancada, transporte de peças, uso diário e passeios) em breve vai se tornar injetada (a fase de aquisição de peças é dolorosa para uma garagem tão extensa) para ficar ainda mais segura, permissíva para diversos acertos e ainda mais divertida.

Já que a pista seria algo esporádico, Ricardo resolveu investir no seu bem-estar e um banho de loja foi providenciado. Externamente, além das rodas 15″, detalhes como a maçaneta da caçamba pintado na cor da carroceria, faróis bipartidos e spoiler dianteiro foram adicionados. Internamente a figura a ser pintada era a de um Gol GTI e deste modelo vieram diversas peças de acabamento. Os bancos foram substituidos por modelos Recaro na padronagem original do carro juntamente com os forros de porta, o painel agora conta com o raro computador de bordo funcionando de maneira original pela chave do limpador de pára-brisa. O rádio CD original da VW espanta os ladrões pela simplicidade. O console central, a manopla de câmbio, a luz de teto (direcional e temporizada) e o volante em couro do Gol GTI “bola” foram instalados para agregar mais conforto ao interior. Para monitorar a saúde do motor, um hallmeter foi instalado sobre o painel de instrumentos e por se tratar de um modelo horizontal, cumpre sua função sem atrapalhar a visualização do painel. Os manômetros Cronomac de pressão de óleo, turbo e combustível foram instalados dentro do porta-luvas para que não ficassem expostos.







A caçamba guarda boas recordações, apesar de raramente ser utilizada. Foi nela que Ricardo transportou boa parte das peças de seus carros, inclusive o motor V6 do Chevette. Roda sempre coberta por uma capota marítima para proteger e reduzir o turbilhonamento do vento em altas velocidades. Com uma garagem farta, o difícil é escolher qual vai ser a diversão do dia.

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comentários
  1. NeimarTess disse:

    Projeto muito bem feito! Convido o proprietário a fazer parte do Saveiro Clube!

    Abraço

  2. Rafa, valeu pela matéria. As fotos são caseiras, mas em breve arranjo um fotógrafo para algo mais profissional! rsrs
    Nesta próxima semana devo ter o resultado do dino, um video bacana, etc. Aí, compartilho com a galera!
    Abraços,
    Ricar!

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